Expedição Tropeira: A grande jornada!

  

 

           No penúltimo sábado de agosto, 24, abrimos as portas do Casarão para recebermos a Expedição Tropeira, vinda de Ibatiba, Muniz Freire, Conceição do Castelo, Fazenda do Centro, passando pelas estradas de chão.

 

Lá vem a tropa! Ao chegar, quanta emoção.

Os tropeiros, em suas mulas e burros,

 Estes, cansados e suados,

“de tanto andar, coitados,

Com peso pelo grotão”.

_ Anúncio da nostalgia!

Naquela data também sediávamos outros eventos importantes: Copa ES Rally da Regularidade, Circuito de Trekking e festa em louvor a Santo Agostinho.  Foram três dias infinitamente completos, promoções culturais, envolvendo gincanas, caminhadas ecológicas, entretenimento, troca de experiências, intercâmbio e subida ao podium para premiações. Pessoas simples e lindas, incríveis: jornalistas, promotores, ambientalistas, preservacionistas, crianças, jovens, famílias de todo o Estado e Brasil. _ Um encontro de Cidadania!

O respeito foi manifestado entre os presentes. Famílias de longe, acampadas ou ranchadas pelos campos, jardins, varandas e Casarão.

Depois da chegada e das boas-vindas, todos os peões foram soltar os animais, lhes dar banho e comida, _Coisa linda de se ver.

Os animais estavam com o olhar tranqüilo e cansado pela viagem que já durava quatro dias, mas eram muito bem alimentados. As celas eram recolhidas e tudo parecia mágico, voltar no tempo.

Arriamentos completos, como há anos não se via. Celsinho Ferrador, em frente ao Casarão, fazia bela demonstração. E com simpatia e eficiência ferrava os burros e mulas. _ Quer bater um grampo? Perguntou-me. _ Não, respondi. Sentei-me ao chão e fiquei observando a movimentação. Crianças brincando, outros descansando pelo chão.

À noite, o recolhimento, depois do churrasco, da leitoa assada e da carne seca e boa música, fomos todos dormir para a domingueira que prometia ainda mais festa.

Acordei cedinho, lá pelas 5:30h e já começava a amanhecer. Olhei para o campo, em frente ao Casarão, e, vi os tropeiros alimentando os animais e amarrando-os nos pés de árvores para arriá-los. Cenas encantadoras, inimagináveis e que nunca esquecerei. No meio da névoa úmida a imagem do passado sobressaía, tomava espaço diante de nossos olhos: saudosismo e emoção. Lembrei-me da antiga cocheira, ainda vestígios da senzala, ali bem próximo.

Logo foi servido o café fresco, aromático, coado na cozinha do Casarão. Em seguida, todos montaram e, perfilados, rezaram e agradeceram pela hospedagem. Gestos simples, de tradição e assistíamos às cenas mais lindas apresentadas ao nosso espaço cultural, local de manifestações históricas inesquecíveis. De volta a cavalhada? Sim, foi o que nos remeteu aquela imagem. Lá foi a tropa. Lá foi a tropa com destino a sede de Castelo para a festa da Società Italiana. Aqui, lembranças daqueles bons tempos.

 

                                                                               Fazenda do Centro, 30 de agosto de 2013.

 

Maria José Vettorazzi

Membro da Academia Feminina Espírito-Santense de Letras – AFESL

Membro do Instituto Histórico e Geográfico do ES. – IHGES

Presidente de Honra do Instituto Frei Manuel Simón – IFMS.

 


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